Quinta-feira, Julho 09, 2009

With a little help from my friends

To all my friends, but in special, to the ones I’ve met again in Tallinn

For the last several years, I’ve been publishing a birthday discourse in my blog(s). This year, however, I didn’t make any speech. Yet, if I had to do a speech during my graduation ceremony – which took place on the 29th of June – I would say something like:

Continues in My Northern Face.

Sexta-feira, Junho 19, 2009

Lost in translation

Em 2007, quando parti para meu mestrado na Estônia, desembarquei primeiro na Ilha da Rainha. Meu inglês à época não era tão ruim, mas era um tanto precário tendo em vista o dia-a-dia numa nação anglófona. Isto tendo em conta que no IELTS Academic eu levei um 8,5 (máximo 9) - 9 em leitura e 8 em escrita, em escuta e em fala).

Quando retornei para a Inglaterra no natal do mesmo ano, após quase seis meses frequentando as aulas do mestrado, em inglês, e conversando com pessoas no latim dos tempos-modernos, meu inglês era sensivelmente melhor.

Hoje estou de novo à Ilha, mais precisamente em Brighton, e ainda que meu inglês esteja melhor do que há dois anos, sinto ele muito precário, principalmente quanto à fala e, em menor grau, em escuta.

Na fala, o maior problema é minha dicção e vocabulário - este, um tanto quanto limitado; aquela, tentando acompanhar a velocidade do pensamento. Aliás, um dos problemas é justamente que meu pensamento está no "limbo" entre o português e o inglês - e escrever em português para o blog de fato não ajuda.

Para a escuta, o que faz falta também é um vocabulário mais rico e o costume de ouvir o sotaque inglês.

Qual a moral dessa história? Ainda estou para descobrir. Sugestões são bem-vindas.

(O fato é que isso aqui estava precisando de uma atualização.)

Sexta-feira, Maio 01, 2009

Uma técnica pra lá de medieval

Ontem sofri a extração dos meus dois sisos esquerdos - ai! O superior, que aparece arrancado na terceira foto (abaixo, clique nas imagens para ampliar), saiu com tranquilidade. O inferior - cujo trabalho de extração aparece nas duas primeiras fotografias - fez questão de dar trabalho e só saiu partido em três. Ainda bem que o dentista a me operar foi o Dr. Ronaldo Esteves de Carvalho, um craque em termos de odontologia! (Ressalto este fato, porque, em princípio, estava cogitando me tratar com dentistas credenciados do Amil Dental... A doutora com quem me consultei era muito inexperiente e a clínica a que fui em Botafogo parecia um hospital de campanha - péssimo!)

Enfim, fiquei refletindo sobre odontologia, sisos, evolução humana e evolução das técnicas. Indícios de que a atividade era exercida desde pelo menos 7.000 anos antes de Cristo foram encontrados no Paquistão. No século 18 a.C., o código de Hammurabi previa a extração de dentes como forma de punição - o famoso "dente por dente". Aristóteles e Hipócrates escreveram sobre a prática de tratamento dentário, inclusive sobre a extração de dentes com forceps.

Na Idade Média, a extração de dentes para aliviar a dor era prática comum; normalmente exercida por médicos gerais e - pasmem! - barbeiros (acho que alguns desses continuam na profissão...), uma vez que, até o século 19, consta não haver a profissão de dentista.

Tudo isso pra dizer o seguinte: quase 10 mil anos de história e a única solução encontrada para a má-fromação de sisos é a extração! Alguns seres humanos "mais evoluidos" já perderam o terceiro molar (o próprio: siso, o "dente do juízo"). Praticamente todos - salve raras exceções; casos apresentados em congressos odontológicos - já perderam os quartos e os quintos molares, presentes nas arcadas dentárias dos hominídios pré-sapiens.

Passamos por muitos estágios da técnica, já colhemos, já caçamos, passamos a plantar, criamos rebanhos, inventamos o fogo, a roda, a escrita. Nos localizamos em cidades, começamos a trocar, inventamos a imprensa. Surgiu o capitalismo e percorremos cinco revoluções tecnológicas. A alquimia surgiu e se aperfeiçou, remédios temos para tudo. A anestesia nos salva de muitas dores. As ferramentas de médicos e dentistas são avançadas. Entretanto, para o siso, a solução é a mesma de milhares de anos atrás: arranca!

Só que agora estamos chegando à próxima revolução tecnológica: da biotecnologia, da nanotecnologia, da genética, da infogenética. Será que conseguiremos desligar o gene para o siso ainda nos embriões? Será que já se consegue? Será aceitável? Por que não? Você desligaria este gene para que seu filho não sofresse a extração do siso e a dor correspondente? Comentários são bem-vindos.

Sexta-feira, Abril 24, 2009

Hermenêutica do olhar

Enche-se de medonha timidez
Equilibrando o passo que dá.
Porque sei o que fez:
Na escola, onde aprendeste a mentir,
Ensinei hermenêutica do olhar.

Quinta-feira, Abril 23, 2009

Domingo 23

Jorge Ben Jor

Domingo 23
É dia de Jorge
É dia dele passear
Dele passear
No seu cavalo branco
Pelo mundo prá ver
Como é que tá
De armadura e capa
Espada forjada em ouro
Gesto nobre
Olhar sereno
De cavaleiro, guerreiro justiceiro
Imbatível ao extremo
Assim é Jorge
E salve Jorge viva viva viva Jorge
Pois com sua sabedoria e coragem
Mostrou que com uma rosa
E o cantar de um passarinho
Nunca nesse mundo se está sozinho
E salve Jorge
E salve Jorge
Domingo 23
É dia de Jorge
É dia dele passear
No seu cavalo branco
Pelo mundo prá ver
Como é que tá
De armadura e capa
Espada forjada em ouro
Gesto nobre
Olhar sereno
De cavaleiro, guerreiro justiceiro
Assim é Jorge
E salve Jorge viva viva viva Jorge
Pois com sua sabedoria e coragem
Mostrou que com uma rosa
E o cantar de um passarinho
Nunca nesse mundo se está sozinho

© Arlequim
61678210

ficha técnica da faixa:
Guitarra e voz: Jorge Ben Jor
-x-x-x-

Hoje, neste feriado para São Jorge, por acaso e coincidência, fui à praia com uma camisa vermelha. Refletindo a respeito deste dia, lembrei desta bela canção e letra de Jorge Ben Jor. Sempre ficava intrigado "poxa, 'Domingo 23'? Mas é 23 de Abril, nem sempre é domingo..."

Só hoje a ficha caiu: afinal, todo domingo é dia santo e vice-versa.

Quarta-feira, Abril 22, 2009

Summa cum laude

Pois hoje encerrei meu mestrado nas artes da Governança Tecnológica pela Universidade de Tecnologia de Tallinn, Estônia. Já expliquei em verso e em prosa e já reafirmei o porquê da escolha de um mestrado na Estônia. Afinal, a pergunta que mais escutei - e que ainda escuto - é "por que Estônia?". O fato é que a escolha foi muito acertada, tanto em termos acadêmicos como de experiência de vida. Mas quero contar um caso neste momento em que um ciclo se completa.

A Universidade de Tecnologia de Tallinn é uma das duas melhores universidades da Estônia (a outra é a de Tartu). Minhas aulas eram no prédio do Instituto de Humanidades, quinze minutos andando a partir do prédio principal. Mas eu também visitava frequentemente este, localizado ao lado de onde vivi no início da minha estadia no norte. Tinha aulas de estoniano lá; volta e meia almoçava num dos dois refeitórios do prédio principal; e muitas vezes ia tratar de assuntos no escritório de estudantes internacionais, no segundo andar do prédio.

E sempre que ia ao escritório internacional passava por uma parede repleta de plaquetas de metal cada uma com o nome de quem se graduou com honras, que recebeu "summa cum laude". E sempre pensava: "ainda vou colocar meu nome nesta parede, serei o primeiro Brasileiro com o nome pendurado na parede da Universidade de tecnologia de Tallinn". Este era meu sonho, esta era minha meta.

Ao final do período de aulas, meu sonho ficou mais perto, já que obtive nota máxima (5) em todas as disciplinas. Mas isto não significaria nada se eu não recebesse a mesma nota pela dissertação - mesmo se recebesse uma nota 4 e tivesse média máxima nas disciplinas, isto não me garantiria distinção no diploma.

Hoje eu defendi minha dissertação. Estava nervoso, mas sabia que era possível. Minha confiança aumentou quando o sol saiu, despertou a visão do Cristo Redentor, iluminou a mata em frente à minha janela, de onde se mostrou para mim muito brevemente uma borboleta azul. Alguns desprezam estes sinais, e talvez seja até besteira, mas este azulão me provocou um sorriso e aliviou o meu peito, deixando-me pronto para a defesa do meu trabalho.

Apresentação, confronto por parte da banca, defesa, argumentação. Pausa para a comissão definir minha nota. Suspense. Demoraram mais do que esperava. O que será que será? Qual foi minha felicidade ao receber o resultado da comissão avaliadora: nota máxima, nota cinco!

Hoje, meu objetivo foi alcançado. Em breve haverá uma plaqueta com minha marca na parede da Universidade de Tecnologia de Tallinn. Hoje, meu sonho se realizou.

Sexta-feira, Abril 17, 2009

O Gato malhado

Domingo, Abril 05, 2009

The Cat

Remembering Leokádio - Inspired by Princess

And there goes the cat
Happy, and errant,
As no other pet.
Fully elegant,

In his own velvet.
Fancy, and bouffant,
So much arrogant,
As a little brat.

Some call it silly;
Others hate it. Yet,
It walks on smoothly;

And it fears no threat.
Complete mystery –
There it goes: the cat.

-x-x-x-

Este eu publiquei também num domingo, 3 de fevereiro de 2008, no meu blog em inglês: My Northern Face.

...e ainda estou 'devendo' um soneto sobre cães. Quem sabe Casholino não me inspira?

Segunda-feira, Março 30, 2009

Desserviços

De uns tempos pra cá tenho ficado cada vez mais irritado com a qualidade dos serviços comerciais cariocas. Refiro-me a como somos atendidos em lojas, bares e restaurantes do Rio de Janeiro. É impressionante a lentidão, o mal humor e, por vezes, a ignorância dos atendentes - sejam eles lojistas, barmen ou garçons. Acho que se pode contar nos dedos das mãos os locais em que se é bem-atendido - e ainda assim se perdem os anéis com o preço que se paga nos melhores locais. Talvez pior do que sermos mal atendidos seja ser esnobado pelos atendentes de alguns estabelecimentos metidos à besta. Agora, o fato é o seguinte: se os funcionários estão servindo mal, a culpa é sempre do gerente ou do maître que não está comandando a equipe corretamente. Eu talvez fique mais irritado porque já fui vendedor, e, sem falsa modéstia, sempre fui um vendendor educado e respeitoso, que tentava agradar ao máximo ao cliente, atendendo seus desejos com atenção mas sem ser "mala".

O outro lado da moeda é o seguinte: somos uma sociedade de classes altamente desigual. Economistas já afirmaram que numa sociedade mais igualitária, a primeira classe a desaparecer é a dos servos - quando há um nível mínimo adequado de educação e de oportunidades para todos, é difícil aceitar ganhar a vida servindo aos outros. Mas, cruelmente, tais funções acabam exercidas por imigrantes muitas vezes ilegais.

Em países nórdicos, como na Noruega, há muitos bares e restaurantes sem garçons - o pedido é feito a uma pessoa no bar, que no máximo leva seu pedido à mesa, mas muitas vezes é o próprio cliente quem tem de pegar as bebidas e os pratos de comida no bar. Em outros países, dar gorjeta é até visto como ofensivo. Pelo que se sabe, na Islândia, não havia o costume de deixar gorjetas - "havia", agora com a grave crise que este país insular enfrenta, talvez estas sejam vistas com bons olhos.

De todo modo, acho um certo exageiro alguns custumes desses países. Muito justo que numa sociedade igualitária não haja uma classe de empregados domésticos. Mas se me disponho a sair de casa para pagar por uma noite agradável em um restaurante, quero ser bem servido - caso contrário, não sairia. E é justamente disto que reclamo nos serviços cariocas.

Sexta-feira, Março 27, 2009

Inócuo

Acepções
adjetivo
1 que não causa dano material, físico, orgânico; que não é nocivo, prejudicial
2 que não causa dano moral, psicológico ou afim; improvável de causar ofensa moral
3 Derivação: por extensão de sentido.
incapaz de produzir o efeito pretendido
Ex.: Hora do Planeta, Basta eu quero Paz, Acenda uma vela na janela
-x-x-x-

Não entendo - e acho-as no mínimo inócuas - as campanhas pseudo-conscientes/conscientizantes tais como "acenda uma vela na janela", "basta eu quero paz" (ambas pela "paz" no Rio de Janeiro) e a mais internacionalmente pop "hora do planeta". Tudo muito bonitinho - e só.

E depois a carruagem volta a ser abóbora, todos vivem felizes para sempre - e nada muda de concreto.

P.S.:
Ser contra um movimento é ainda fazer parte dele.
- Pablo Picasso -

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