
Ontem sofri a extração dos meus dois sisos esquerdos - ai! O superior, que aparece arrancado na terceira foto (abaixo, clique nas imagens para ampliar), saiu com tranquilidade. O inferior - cujo trabalho de extração aparece nas duas primeiras fotografias - fez questão de dar trabalho e só saiu partido em três. Ainda bem que o dentista a me operar foi o Dr. Ronaldo Esteves de Carvalho, um craque em termos de odontologia! (Ressalto este fato, porque, em princípio, estava cogitando me tratar com dentistas credenciados do Amil Dental... A doutora com quem me consultei era muito inexperiente e a clínica a que fui em Botafogo parecia um hospital de campanha - péssimo!)
Enfim, fiquei refletindo sobre odontologia, sisos, evolução humana e evolução das técnicas. Indícios de que a atividade era exercida desde pelo menos 7.000 anos antes de Cristo foram encontrados no Paquistão. No século 18 a.C., o código de Hammurabi previa a extração de dentes como forma de punição - o famoso "dente por dente". Aristóteles e Hipócrates escreveram sobre a prática de tratamento dentário

, inclusive sobre a extração de dentes com forceps.
Na Idade Média, a extração de dentes para aliviar a dor era prática comum; normalmente exercida por médicos gerais e - pasmem! - barbeiros (acho que alguns desses continuam na profissão...), uma vez que, até o século 19, consta não haver a profissão de dentista.
Tudo isso pra dizer o seguinte: quase 10 mil anos de história e a única solução encontrada para a má-fromação de sisos é a extração! Alguns seres humanos "mais evoluidos" já perderam o terceiro molar (o próprio: siso, o "dente do juízo"). Praticamente todos - salve raras exceções; casos apresentados em congressos odontológicos - já perderam os quartos e os quintos molares, presentes nas arcadas dentárias dos hominídios pré-sapiens.

Passamos por muitos estágios da técnica, já colhemos, já caçamos, passamos a plantar, criamos rebanhos, inventamos o fogo, a roda, a escrita. Nos localizamos em cidades, começamos a trocar, inventamos a imprensa. Surgiu o capitalismo e percorremos cinco revoluções tecnológicas. A alquimia surgiu e se aperfeiçou, remédios temos para tudo. A anestesia nos salva de muitas dores. As ferramentas de médicos e dentistas são avançadas. Entretanto, para o siso, a solução é a mesma de milhares de anos atrás: arranca!
Só que agora estamos chegando à próxima revolução tecnológica: da biotecnologia, da nanotecnologia, da genética, da infogenética. Será que conseguiremos desligar o gene para o siso ainda nos embriões? Será que já se consegue? Será aceitável? Por que não? Você desligaria este gene para que seu filho não sofresse a extração do siso e a dor correspondente? Comentários são bem-vindos.